sábado, 19 de janeiro de 2013

QUE AMOR É ESSE...? Lara A. Garamond



Eu entendo que os assuntos do coração são complicados. Que esta é a área da vida em que o ser humano tem mais dificuldade de conseguir êxito. Entendo que temos o direito de gostar de quem quisermos; afinal, o coração é nosso e pronto. Assim como temos também o direito de deixar de gostar de alguém que julgávamos ser a pessoa certa.

Acredito sim que amores se desgastam com o tempo, com a falta de manutenção, com imaturidade e egoísmo. Respeito o fato de que todos somos livres para terminar relacionamentos que já não queremos mais. Sei que muitos dos nossos sentimentos são passageiros, que o ser humano age por impulso. Sei que relacionamentos começam e relacionamentos terminam.

Mas o que me indigna a alma e faz meu coração arder de raiva é o desamor. Não me refiro à falta de amor para com o ex namorado/noivo/marido enquanto ex parceiro. Como já disse, somos livres para amar e deixar de amar a qualquer instante. E por mais árduo que seja aceitar, nem sempre há um motivo para isso. Mas refiro-me ao desamor para com aquela pessoa enquanto pessoa mesmo.

As pessoas desrespeitam a bonita história construída a dois, quebram as promessas, esquecem-se que as pessoas têm sentimentos. Ferimos o outro como se este fosse nosso pior inimigo. Nos desfazemos das fotos como quem se desfaz da poeira sobre os móveis. Olhamos os vídeos, os presentes, os lugares favoritos… E conseguimos chegar ao ponto de não sentir absolutamento nada. Viramos-lhe as costas e não só o rosto.

Eu entendo que amor pode virar amizade, raiva, ódio, mágoa. Acontece com bastante frequência. Mas que amor é esse que termina indiferente? Que amor é esse cuja última gota acaba por secar o coração? A fila anda e pulamos pra próxima como quem muda de canal. Sem respeito aos sentimentos alheios, sem discrição, sem reservas. Doa a quem doer.

O ser humano se julga superior aos animais por ser racional. Parabéns. Mas nem o mais selvagem dos animais, no auge de expressão dos seus instintos, consegue chegar a esse ponto: de ferir a alma e não o corpo.

Lara A. Garamond
agaramond@zabazuba.com

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