sábado, 24 de maio de 2014

ME AFASTANDO – em busca do que pode ser… por Barbara Nonato

Pendurei um aviso lá na porta de casa: “Fui ser feliz. Não volto!”
Algumas vezes é preciso desprender-se do passado para que o futuro encontre espaço para se acomodar, nos livrarmos dos fardos, dos sofrimentos e daquilo que nos incomoda. Perdidos no zig-zag da vida, precisamos nos equilibrar e encontrar via reta e segura, onde possamos estabilizar os sonhos que construímos e os desejos que queremos ver crescer. Sigo me afastando…

Me afastando dessa poesia sem rimas, do lirismo incontestável e sem contexto onde tantos insistem afundar-se; desse monte de lama que nos sufoca e desse monte de merda que nos atola. Deixo pra trás o que não foi bom… E o que foi também! Se foi já foi, pra mim só vale o que ficou! Se passou e não permaneceu, talvez seja porque, em algum dia, tenha sido o que nunca deveria ter sido…

Me afastando do que me revolta, do que me injuria, do que me emputece. Vou dar adeus à soberba e ao dedo em riste dos muito, que são tão pouco, mas cruzaram meu caminho fazendo estragos. Quero longe de mim toda essa insensibilidade e falta de percepção dos que podem realizar proezas, mas por acomodação não fazem nada. Quero longe, e bem longe de mim, aquele que ontem me aplaudiu e hoje, pelas minhas costas, tece uma teia podre e maldita de mentiras a meu respeito.

Me afastando de pessoas vazias; de quem menospreza os que sempre estiveram, para engrandecer aqueles que chegaram ontem; de quem desvaloriza os filhos em função dos amantes bandidos e sem identidade encontrados nas sargetas escuras das vielas sujas, onde esgoto corre à céu aberto e vidas são trocadas por orgasmos. A partir de hoje me recuso a olhar na cara de quem enaltece as desgraças, sem reconhecer as bênçãos recebidas; assim como de quem postula falsas bênçãos, tirando da crença um obsceno proveito pessoal.

Me afastando da ganância dos que rotulam, da atrocidade dos que cometem injustiças, e da perspicácia dos traidores. Não preciso de gente que não sabe ser gente! Não quero amigo ausente, não quero parente serpente. Preciso de gente do meu lado, de mãos dadas… Gente que vê o erro e fala; gente que erra e conserta; gente que perde a admite; gente que não troca gente por dinheiro ou possibilidades de tê-lo; preciso de gente que assuma ser gente e não só pedaço deteriorado de gente.

Me afastando dos amores vis, daqueles que chegam em nossa vida para sugar a parte boa da essência e, uma vez saciados, partem sem ao menos agradecer a dedicação a eles dispensada. Busco a dádiva do amor verdadeiro, puro; do amor que me faz mais bonita por me fazer realizada; do amor que me faz completa por me preencher os espaços vazios; do amor que me faz encontrar minha mulherice esquecida e revirar os olhos de satisfação.

Me afastando da banalidade, da putaria, da subserviência, da anulação, da falsa moral. Me cansei de gente que não entende o que eu falo, mas sorri só pra me agradar; ou gente que deturpa, transformando minha opinião no pior dos pecados. É opinião e é minha, mas se fosse pecado seria meu também! Não quero um telefone tocando, sou mais um coração batendo; não quero uma palavra, quando basta um olhar; não quero presunto, mas ‘o pão nosso de cada dia, nos dai hoje’…

Me afastando do que me fez para buscar o que pode me fazer mais.

Pendurei um aviso lá na porta de casa: “Fui ser feliz. Não volto!”

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